Assim como Rafael e Guga, irmãos se inspiram uns nos outros
Quando era um adolescente cheio de energia para praticar diversos esportes, Guga contou com um exemplo em casa para seguir adiante. Como se não bastasse o envolvimento do pai, Aldo, com o esporte, o irmão mais velho, Rafael, já era um apaixonado pelo tênis. Dona Alice conta que, na época, acreditava que Rafael estava mais próximo de se tornar um campeão. O olho do pai, porém, foi certeiro - era Guga quem despontaria na carreira de tenista.
Histórias como as de Rafael e Guga repetem-se todos os dias no mundo do tênis, inclusive na Copa Guga Kuerten, uma das maiores competições infanto-juvenis do país que ocorre no Lagoa Iate Clube até o próximo domingo. Irmãos torcem e incentivam uns aos outros para viverem o sonho de, um dia, se tornarem campeões na vida e no tênis. Os catarinenses André e Ana Baran e os paulistas Stephania e Michel Haddad são exemplos de famílias unidas em torno do esporte e que estão presentes na Semana Guga Kuerten.
HERANÇA DO PAI
Os irmãos Baran, André e Ana Carolina, herdaram do pai, Sandro, a paixão pelo tênis. Em 1993, o brusquense foi campeão dos Jogos Abertos de Santa Catarina em Tubarão, jogando na equipe de Guga, Larri e Marcelo Rebelo, o "Cascata". Na época, André estava com dois anos e começava a esboçar uma intimidade com a raquete. Aos cinco, entrou para a escolinha da Sociedade Esportiva Bandeirante, em Brusque. Hoje, André está com 18 anos e totalmente focado no tênis profissional, com nove pontos conquistados na ATP e um calendário recheado de Futures no Brasil e no exterior - neste ano já passou por Marrocos e Turquia. Sua participação na Semana Guga Kuerten tem um motivo especial: foi convidado pelo próprio tricampeão de Roland Garros a prestigiar o torneio jogando a categoria 18 anos.
Quatro anos mais velho, aos poucos ele foi levando a irmã, Ana, para o mundo competitivo do tênis. "Ela é mais nova, então eu sempre procuro dar dicas e passar um pouco da minha experiência", conta o primogênito. "Ele sempre me orienta. Sei que, se segui-lo, estarei fazendo o certo. Foi ele que sempre me incentivou a levar o tênis a sério e me ajudou a conceber meu sonho de ser uma tenista profissional", explicou a garota de 14 anos, sétima do país na categoria. "Ele assiste aos meus treinos e jogos, depois me cobra, me dá dicas, mas também briga comigo quando eu teimo em um erro", completou Ana, quadrifinalista da Copa Guga Kuerten após vencer, nesta quinta-feira, por duplo 6\0 a gaúcha Ana John.
Mas quem pensa que entre eles tudo é calmo, engana-se. André deixou a casa dos pais quando tinha 14 anos e foi morar em Balneário Camboriú para treinar com Larri Passos. Ana seguiu o mesmo caminho e com 12 estava morando com o irmão mais velho. Tornaram-se mais próximos e mais amigos, mas como em qualquer família, também existem os momentos de discussão. A briga é para saber quem vai lavar a louça.
"Ele é muito bagunceiro. Sou eu que cuido de tudo. Depois que fui morar em Balneário, ele não quer mais saber de lavar a louça, deixa tudo comigo", disse Ana. Quando o papo foi com André, porém, a história não era a mesma. "Eu que organizo tudo em casa", rechaçou o garoto, entre risadas. A mãe, Susi Baran, acabou com a discussão: "Atualmente a Ana é quem é mais responsável com isto". Arrumações da casa à parte, Ana concluiu com muita bajulação: "Ele é meu exemplo".
CUIDADO ENTRE PRIMOGÊNITA E CAÇULA
Na família Haddad, Stephania é a mais velha, tem 16, mas foi Michel, de 15, quem levou a irmã para o tênis. Segundo os irmãos, o talento ficou com Michel, enquanto para Stephania restou a força de vontade. "Ele jogava muito bem, então estava sempre alguns níveis acima de mim", riu Stephania, quinta do país nos 16 anos e segunda favorita na Copa Guga Kuerten, vitoriosa por 6\0 e 6\1 no jogo contra Andrea D'Ávila, nesta quinta.
"Eu adoro treinar com ela, ela melhorou muito", contou Michel, que começou a jogar aos 5 anos por influência do pai. "Às vezes eu fico nervoso vendo os jogos dela, pego no pé, digo que ela precisava ter usado mais curtas", completou.
No que diz respeito à organização e à responsabilidade, é a mais velha que comanda tudo. "Ele não seria nada sem mim. Sou eu quem cuido do dinheiro que a mãe nos dá, das passagens, dos horários", disse Stephania, sob o olhar de aprovação do caçula.
Apesar de ser mais novo, porém, Michel também gosta de cuidar da irmã. "Ele é ciumento, não pode ter muitos meninos vendo meu jogo porque ele não gosta", disse. "Não sou não, mas eu cuido dela", finalizou Michel, que nesta quinta-feira perdeu para o cabeça-de-chave número 1 dos 16 anos, André Tavares (PR), por 6\1 e 6\0.
Assim como os irmãos Baran e Haddad, diversas outras famílias estão reunidas na Copa Guga Kuerten. É o caso dos irmãos Tazinaffo, Garcia, Machado, Giudici, Chain, Maia, e também dos gêmeos Alexandre e Nicolas Sola, que além de estarem juntos diariamente nos treinos e torneios, também formam uma parceria nas chaves de duplas.
MAIS SOBRE A SEMANA GUGA KUERTEN
Além da realização da Copa Guga Kuerten, está programado um jogo-exibição entre o tricampeão de Roland Garros, Guga, e o espanhol Sergi Bruguera, bicampeão do Grand Slam francês, no próximo sábado, dia 13, às 19h. O evento ainda envolve outras atividades que também visam ao desenvolvimento do tênis, como a instalação de diversas miniquadras em Florianópolis para o incentivo à prática do esporte, clínicas com Larri Passos, Jaime Oncins e palestra com Nuno Cobra Ribeiro; além de capacitação para professores de tênis.
No sábado acontece a capacitação de play+stay para professores dentro da programação da Semana Guga Kuerten. O curso será ministrado pelo diretor do departamento de capacitação da CBT, César Kist.

André incentiva Ana a seguir carreira de tenista profissional. Crédito: Fernando Willadino

André incentiva Ana a seguir carreira de tenista profissional. Crédito: Fernando Willadino

Stephania Haddad, de 16 anos, começou a jogar por influência do irmão caçula, Michel. Crédito: Hermes Bezerra

Irmãos gêmeos Alexandre e Nicolas Sola formam dupla na Copa Guga Kuerten. Crédito: Fernando Willadino